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Justiça proíbe ‘justiceiro de Copacabana’ de divulgar imagens de menores e incentivar ‘caçadas’ no Rio

'Justiceiros' criam grupos para ‘caçar’ ladrões em Copacabana A juíza Lysia Maria da Rocha Mesquita, da 1ª Vara da Infância e da Juventude, determinou ...

Justiça proíbe ‘justiceiro de Copacabana’ de divulgar imagens de menores e incentivar ‘caçadas’ no Rio
Justiça proíbe ‘justiceiro de Copacabana’ de divulgar imagens de menores e incentivar ‘caçadas’ no Rio (Foto: Reprodução)

'Justiceiros' criam grupos para ‘caçar’ ladrões em Copacabana A juíza Lysia Maria da Rocha Mesquita, da 1ª Vara da Infância e da Juventude, determinou que William Correia da Silva Junior, apontado pelo Ministério Público como fundador e chefe do grupo “Anjos da Guarda Vigilância Comunitária” (AGVC), se abstenha “imediatamente de organizar, participar, incentivar, induzir ou publicizar quaisquer atos de vigilantismo que envolvam crianças e adolescentes”. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça A decisão liminar também determina que ele deixe de “gravar, publicar, armazenar ou divulgar imagens, áudios, nomes, dados ou informações que permitam a identificação” de menores de idade. A liminar faz referência a uma ação civil pública apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) contra William Correia e outros integrantes do grupo conhecido como “Justiceiros de Copacabana”. No centro da foto, William Correia, que é apontado pelo MP como fundador e líder do grupo “Anjos da Guarda Vigilância Comunitária” (AGVC). Reprodução redes sociais Segundo o MP, o coletivo organizava ações de perseguição, exposição e violência contra adolescentes apontados como autores de roubos e furtos na Zona Sul. O Ministério Público afirma que o grupo utilizava redes sociais e aplicativos de mensagens para convocar “caçadas” em vias públicas, divulgar imagens de adolescentes e organizar “rondas” informais em bairros como Copacabana e Ipanema. A promotoria também cita vídeos de espancamentos, orientações para o uso de roupas pretas e máscaras e referências a objetos como soco-inglês e pedaços de pau. O reaparecimento dos grupos de “justiceiros” ocorreu em meio ao aumento da sensação de insegurança em Copacabana e na Zona Sul. Em 2023, o g1 revelou que moradores se organizavam por WhatsApp para “caçar” suspeitos de roubos na região. As conversas obtidas pela reportagem, na época, mostravam menções a listas de presença, “retaguarda de peça” — referência a apoio armado — e estratégias para evitar identificação durante as ações. Homens debatem sobre fazer justiça com as próprias mãos em Copacabana Reprodução MP denuncia e pede punições As ações civis públicas foram apresentadas pela 3ª Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude da Capital contra William Correia e outros integrantes do grupo. Segundo o Ministério Público, William é “integrante e fundador do grupo autodenominado de ‘Justiceiros de Copacabana’ e ‘AGVC’”, além de responsável por fomentar ações de perseguição e violência contra adolescentes. As denúncias também citam um professor de jiu-jítsu do bairro, apontado como incentivador das ações do grupo, e outras duas pessoas. A promotoria afirma que eles apoiavam publicamente as ações do coletivo. Segundo o Ministério Público, William Correia fundou e lidera o grupo “Anjos da Guarda Vigilância Comunitária”, acusado de organizar perseguições e divulgar imagens de adolescentes suspeitos de crimes na Zona Sul do Rio. Reprodução redes sociais Um dos citados pelo MP é acusado de compartilhar imagens e dados de adolescentes em grupos de WhatsApp. Segundo a ação, mensagens atribuídas a ele falavam em “surra de amor” e “limpeza de Copa”. O Ministério Público pede que os réus sejam proibidos de promover ações de vigilantismo envolvendo menores, removam conteúdos publicados nas redes sociais e paguem indenizações por danos morais coletivos. As ações também pedem retratação pública e campanhas educativas sobre direitos de crianças e adolescentes. Segundo o MP, o grupo promovia “perseguições e agressões dirigidas a crianças e adolescentes reputados em conflito com a lei”, além de divulgar imagens e dados pessoais de menores. Segundo o Ministério Público, o grupo tentava exercer uma função paralela de segurança pública, promovendo “capturas”, “flagrantes” e perseguições em vias públicas. Apontado como líder do grupo, Willian tentou se eleger vereador do Rio em três eleições consecutivas. Em 2024, pelo Democracia Cristã (DC), recebeu 2.375 votos. Antes, teve 1.144 votos pelo Solidariedade, em 2020, e 681 votos pelo PP, em 2016. Críticas à decisão Após ser citado na Ação Civil Pública, William Correia publicou vídeos criticando o Ministério Público e a decisão judicial mais recente. “Logo no início da ação civil pública eles me colocam como integrante fundador do grupo denominado "Justiceiros de Copacabana", eu nunca me chamei de justiceiro", disse ele em vídeo. “Eles estão admitindo que são vagabundos e gansos (os menores). Disseram que eu estou expondo eles em redes sociais e incitando a caçada coletiva em via pública. Será?”, questionou. 'Justiceiro é um criminoso. Não se justifica um crime cometendo um outro crime', diz secretário de Segurança Pública do RJ Em outro trecho, William se defende e afirma que nunca usou nenhum tipo de arma para atacar jovens suspeitos. “Nunca usei faca, não ando armado e muito menos com soco inglês. Graças a Deus me garanto muito bem na mão, se precisar utilizar”. Ao comentar a decisão judicial, ele criticou a atuação da juíza Lysia Maria da Rocha Mesquita. “Ela evidência de que lado está. Ela disse que o réu e seu grupo se apresentam nas redes sociais como mocinhos, ou seja, ela já definiu de que lado ela está”, analisou. Em seguida, William fala, em tom de ironia, que a partir da decisão da Justiça do Rio de Janeiro está liberado a atuação criminosa na Zona Sul da cidade. “Alo gansarada (sic) até 18 anos, ta liberado roubar, pode roubar a vontade que eu to proibido, segundo essa juíza ai, de publicar e mostrar os rostinhos indefesos ou ir atras, em flagrante delito. (...) Esse é o Brasil, esse é o Rio de Janeiro. Mas a luta não para aqui não. Vamos para cima”, decretou William. Em outra postagem, William também fez críticas ao Ministério Público após o recebimento da Ação Civil Pública. “Recebi mais um processo, só que agora uma Ação Civil Pública, que visa ‘proteger os direitos coletivos’. Estranho pois meu movimento visa justamente isso, talvez o MP esteja preocupado em defender os direitos dos gansos e vagabundos, enquanto eu o da população de bem”, escreveu. O g1 tentou contato com William Correa, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem. Vídeo mostra jovem sendo espancado por 'justiceiros' em Copacabana RJ foi condenado a pagar indenização Em novembro de 2025, o Estado do Rio de Janeiro foi condenado pela Justiça a pagar R$ 500 mil em danos morais coletivos e indenizações individuais a adolescentes vítimas de exposição ilegal e linchamentos na Zona Sul do Rio, em dezembro de 2023. A sentença da juíza Lysia Maria da Rocha Mesquita, da 1ª Vara da Infância e da Juventude Protetiva, afirma que agentes dos batalhões de Copacabana (19º BPM) e Ipanema (23º BPM) divulgaram dados sigilosos e fotos de menores de idade, incitando a atuação de grupos de “justiceiros” que espancaram jovens sob suspeita de envolvimento em furtos e arrastões na região. Munidos de socos-ingleses, pedaços de pau e capacetes, eles filmavam as agressões e as divulgavam na internet. As ações começaram após o aumento de furtos e arrastões nas praias de Copacabana e Ipanema e acabaram transformando a região em palco de uma escalada de violência.