cover
Tocando Agora:

SEUS LOUVORES TOCAM AQUI

Tartarugas marinhas aparecem mortas no Norte do RJ; laudo aponta que animais estavam saudáveis e alerta para atividade pesqueira

Quatro tartarugas são encontradas mortas em São Francisco de Itabapoana. A morte de quatro tartarugas marinhas na Praia de Santa Clara, em São Francisco de Itab...

Tartarugas marinhas aparecem mortas no Norte do RJ; laudo aponta que animais estavam saudáveis e alerta para atividade pesqueira
Tartarugas marinhas aparecem mortas no Norte do RJ; laudo aponta que animais estavam saudáveis e alerta para atividade pesqueira (Foto: Reprodução)


Quatro tartarugas são encontradas mortas em São Francisco de Itabapoana. A morte de quatro tartarugas marinhas na Praia de Santa Clara, em São Francisco de Itabapoana, no Norte Fluminense, fez o Instituto BW alertar para a prática pesqueira na região, já que o laudo de três necropsias, divulgado na tarde desta quarta-feira (23), indicou que os animais estavam saudáveis, ou seja, sem doenças relacionadas às mortes. Os animais, da espécie tartarugas-cabeçudas (Caretta caretta), foram encontrados mortos no domingo (20). A entidade afirma que o período de reprodução começou em setembro e seque até março na região. "As necropsias indicaram bom escore corporal, reservas de gordura cavitária e conteúdo alimentar no estômago, evidências de que os animais estavam em pleno exercício de suas atividades biológicas e não apresentavam quadro de uma patologia especifica que justificasse o encalhe", apontou o laudo. 📱 Siga o canal do g1 Norte Fluminense no WhatsApp. Em 2025, 60% das 499 tartarugas submetidas à necropsia podem ter sido vítimas da interação com a atividade de pesca. O número de encalhe no ano passado chegou a 1.959 em São Francisco de Itabapoana. Animais foram encontrados na faixa de areia. Causa ainda está sendo investigada. Antonio Leudo Silva "O número real tende a ser maior: nem todos os animais puderam ser examinados, e a morte por asfixia, que ocorre quando a tartaruga fica presa numa rede e não consegue subir para respirar, raramente deixa marcas visíveis no corpo”, afirmou a bióloga Dra. Ludmila Damásio, diretora executiva do Instituto BW. Ao g1, um morador relatou que três tartarugas estavam enterradas na areia, enquanto outra permanecia exposta na faixa de praia. "A região Norte Fluminense é uma das principais áreas de reprodução das tartarugas-cabeçudas. Portanto, nesses meses [setembro a março] as fêmeas se aproximam da praia para desovar, enquanto machos permanecem próximos ao litoral para o acasalamento, o que torna mais frequentes os avistamentos", disse o Instituto BW, que é responsável pelo monitoramento da fauna marinha na área. Captura não intencional O Instituto BW explica que a captura das tartarugas durante as atividades pesqueiras ocorre sem intenção. “Essa captura ocorre de forma não intencional, quando equipamentos de pesca acabam capturando espécies que não são o alvo da atividade. A redução dessas ocorrências passa, necessariamente, pela parceria com os pescadores, que estão diariamente no mar e têm um papel fundamental na conservação dessas espécies", lembra a bióloga Dra. Ludmila Damásio. Monitoramento de praias A secretaria de Meio Ambiente destacou ainda que São Francisco de Itabapoana possui áreas importantes para a reprodução de tartarugas marinhas, o que reforça a necessidade de ações permanentes de monitoramento e conservação ao longo do litoral do município. Desde 2024 o instituto participa do Projeto de Monitoramento de Praias, que acompanha ocorrências de encalhes e desenvolve ações voltadas à conservação da fauna marinha. O projeto é uma condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades de petróleo e gás da Petrobras na Bacia de Campos. Entre as ações desenvolvidas estão a localização de animais marinhos encalhados, o atendimento aos animais encontrados vivos, a realização de necropsias nos animais mortos e a avaliação de possíveis impactos das atividades offshore sobre a fauna marinha. "Nosso monitoramento constante é o que nos permite identificar rapidamente esse tipo de ocorrência. A colaboração da população é essencial: reforçamos a importância de acionar imediatamente nossa equipe sempre que um animal marinho for avistado na praia, vivo ou morto", afirma a Dra. Paula Baldassin, coordenadora de Medicina Veterinária e vice-presidente do Instituto BW. Orientações ao avistar uma tartaruga marinha na faixa de areia (viva ou morta): Acione imediatamente o 0800 991 4800 Não toque, não manipule e não tente devolver o animal ao mar Mantenha distância e aguarde a chegada da equipe especializada Isole a área para evitar aproximação de curiosos ou animais domésticos Se possível, anote a localização exata do animal